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30 dezembro 2003

São Tomé e Prí­ncipe, 40 anos depois*

Foi em 1471, mais precisamente no dia 21 de Dezembro, que os descobridores portugueses João de Santarém e Pêro Escobar descobriram um arquipélago até então desabitado, p'rós lados do golfo da Guiné. O seu povoamento apenas começou em 1485, mas o dia 21 de Dezembro ficou para sempre estabelecido como "O Dia de São Tomé", sendo que cada criança do sexo masculino que nasce neste dia fica com o seu nome.
Posteriormente invadida por holandeses (derrotados pelo próprio povo) e pelos portugueses, que exploraram as suas terras e a sua rica costa, São Tomé apenas adquiriu total independência em 1975. Contra todas as expectativas internas, o país empobreceu economicamente, em proporção inversa à riqueza dos líderes políticos. Actualmente, o paí­s vive essencialmente da exportação de café e cacau e, com a recente eleição de um novo líder polí­tico, chegaram as explorações de petróleo, para muitos a luz ao fundo do túnel para o futuro económico do paí­s. Melhor sorte merece este povo corajoso e forte nas suas palavras, nos seus actos, e essencialmente no seu espí­rito. Mas os meus votos para 2004, no que diz respeito a esta terra, vão para a melhoria do sistema de saúde, que actualmente é péssimo: que as pessoas não precisem de ser colocadas em filas de espera 1 ano para viajarem para Portugal, onde finalmente são devidamente tratadas; que as crianças não morram precocemente devido à  falta de condições de higiene e de cuidados de saúde primários; que os doentes hemofí­licos possam ser tratados na sua terra de origem; mas, mais importante que tudo, que o sorriso, a simpatia e a ingenuidade própria das pessoas simples e humildes, permaneçam vivos nos cerca de 116.000 habitantes desta terra a que um dia decidiram chamar Tomé, em homenagem ao Santo com o mesmo nome. São Tomé. Apenas... Tomé.

* Dedicado a Tomé d'Almeida, nascido a 21 de Dezembro de 1963, um dos muitos habitantes de São Tomé que se deslocaram urgente e obrigatoriamente a Portugal em busca de cuidados de saúde. Talvez tarde demais... mas ainda a tempo de abrir o seu coraão e partilhar um pouco de si...

Salix

11 dezembro 2003

Dignidade ou a falta dela

Há dias deparei-me com esta situação, aquando de (mais) uma ida ao dentista: uma ambulância do INEM (desta feita sem aparato, o que por si só é noticia!) estacionada, um enfermeiro e um médico junto a um sem-abrigo aparentemente incosciente. No momento em que eu í­a a passar, o enfermeiro tinha ido à ambulância buscar o "kit" de reanimação. O cenário não podia ser pior. Mentira. 45 minutos depois passei pelo mesmo local e nesta altura este encontrava-se isolado por fitas da poli­cia, a ambulância já lá não estava, mas estava um policia a vigiar o local e o cadáver no chão, apenas com um pano a tapar metade do corpo. Mais ridiculo que isto só o facto de todas as pessoas que passavam no local paravam para ver e comentar com a pessoa do lado o cenário com que se deparavam. Morte solitária? Talvez. Morte indigna? Com certeza. Estas pessoas que pararam a olhar para o cadáver são as mesmas que formam filas de trânsito de kilómetros para poderem ver o acidente que ocorreu na outra faixa. São as mesmas que ficam estupefactas a olhar quando se cruzam com uma pessoa portadora de uma deficiência fí­sica. São as mesmas que, ao assistirem a qualquer destas situações, exclamam "oh coitado...", sem terem consciência que, um dia mais tarde, o "coitado" poderá ser uma delas. Não quero com isto dar lições de moral (até porque não sou a pessoa certa para o fazer hehe) mas sim falar sobre aquilo que eu vejo no nosso pequeno Portugal. E mais não digo.

Salix

09 dezembro 2003

(Sero)positividade nos cuidados

Quando alguém é confrontado com uma frase do género "aquela pessoa tem HIV" ou "aquele ali tem SIDA", a nossa primeira reacção é qualquer coisa do estilo "ah... pois...". A ideia que uma pessoa com HIV é um potencial risco para nós ainda está patente na nossa sociedade, pese embora hoje em dia as pessoas já estejam bem informadas (vamos acreditar que sim) dos meios de transmissão desta doença. No entanto, paira sempre no ar um misto de receio e constrangimento quando nos deparamos com uma pessoa portadora do virus mutante. É claro que é necessário manter a nossa integridade física intacta, mas para tal não se impõe afastarmo-nos dessa pessoa, alterar a maneira de estar ou de falar. Quando há dias, aquando da comemoração do Dia Mundial da Luta contra a SIDA, veio a público uma sondagem em que cerca de 8% (salvo erro) de portugueses acreditam que o Hiv se trasmite apenas com um aperto de mão, a minha reacção foi de perplexidade perante tanta ignorância. Talvez esses 8% sejam os mesmos que não sabem ler uma unica palavra... ou então não. Será que é tão difícil acreditar na ciência e deitar para trás das costas esses estigmas impostos por uma sociedade egóista e desumana? Tocar não nos vai matar... se soubermos como tocar.

Salix

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Ao ler atentamente o post anterior, comecei-me a lembrar das minhas aulas de saude Comunitaria e de Sociologia (Afinal parece que as aulas sempre servem para aprendermos qualquer coisa, por incrivel que pareça), e deste tema que são as doenças como a Sida, doenças que são autênticos "papões" sociais...todas as doenças em que não há uma cura definida, em que existe grande desconhecimento por parte da população em geral...sempre existiram e sempre existirão...a tão "banal" tuberculose já foi uma destas doenças, no entanto a evolução e a tecnocratização das coisas trouxeram outras como a sida, e continuarão a trazer...

O facto de ainda haverem pessoas no nosso país que pensam que a sida se transmite através dum aperto de mão...sinceramente assusta-me...como é que isso é possível...jornais, televisão, internet...tanto nas televisões se fala da prevenção da transmissão do HIV...quer dizer...isso as pessoas não sabem...mas se for o resultado do futebol, o próximo episódio da novela ou a próxima expulsão do Big brother toda a gente sabe...É portanto apostar em Prevenção primária, e não tanto na abertura de Hospitais, medidas demagógicas, para Ingles ver.
Depois, com pessoas que ainda pensam de certa maneira, admiram-se que as pessoas com sida tenham receio de assumirem a sua doença...o que leva a certas situações em que se poe em risco a saúde de certos profissionais de saúde que p.e. no centro de saúde, ao lhe fazerem um penso fiquem contamidados.O doente pode aparecer no cs não tendo nenhuma indicação do hospital, para além do penso a fazer,não tendo nenhuma indicação em relação a este "pormenor"...Tive cnhecimento de alguns casos desses, e acho que ao não prevenirem as pessoas que os rodeiam, as pessoas contaminadas, estão a demonstrar um bocadinho de falta de respeito e falta de bom senso pelos profissionais de saude, profissionais de ajuda, que estão lá para os ajudar.Acho que ainda temos um longo caminho a percorrer no que toca aos doentes com HIV...Pensem nisso.

Dive

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